01 junho, 2005

O capacete

George Lucas realmente deu um nó em nossos corações e mentes que poucos cineastas deram, com essa história de fazer depois o que aconteceu antes. Explica-se: eu e Marcele deixamos a sessão de domingo do ótimo "A vingança de Sith" com um sentimento estranho, diferente. A começar, a sensação de que acabou - não apenas a crença de que Lucas simplesmente não vai continuar, mas algo muito mais violento: o filme não apenas acabou, como já vimos a seqüência há mais de 25 anos.
Ou, para ser mais exato, há uma vida atrás - quando éramos crianças. Isto é completamente vertiginoso - tem também a sensação de vazio, de saber que há um hiato de mais de 20 anos também no tempo cronológico daquele universo, de que vimos finalmente aquilo que parecia ser apenas uma lenda ("as velhas batalhas dos Jedis", há quanto tempo não ouvimos falar disso?).
Não, uma continuação feita para explicar o que aconteceu antes é realmente diferente. O que está feito, está feito, nada é para remediar, tudo é para tentar explicar. Esqueçam Antes do Pôr-do-Sol e a ternurinha de um reencontro. O que George Lucas nos faz é revelar como se fez o maior vilão de nossas infâncias, o tal Darth Vader, é mostrar os bebês Luke Skywalker e Leia Organa (hoje, um coroa e uma matrona, dando entrevistas no DVD), é mostrar a batalha épica na qual o rosto do vilão, até então mais para Felype Dylon, vira uma espécie de Cesar Cals com acne.
Devo confessar: para um cara de 37 anos, que foi ao Coral/Scala ver Star Wars de 442 (Lins-Urca) em 1978, poucas cenas no cinema vão ficar mais na memória do que o velho e conhecido capacete negro baixando sobre o rosto desfigurado de Anakin, com aquela inconfundível música ao fundo.
Saí do cinema, sim, com aquela sensação terrível de que a vida passa. O bom senso recomenda que não tomemos consciência disso todos os dias.
Que a Força esteja com vocês.
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Sim, após sete meses, estou de volta. Me emputeci com um maluco que entrou aqui para atacar minha sobrinha, Luiza, e pedi para apurarem - tudo o que o pessoal da cana dura me bateu é que o nome do cara que usava conexão pública era Marcelo e trabalhava na UFRJ. O problema é que eles me disseram que para seguir adiante iriam precisar de um mandado, ou sejam, uma queixa formal, que poderia culminar em cana dura pro cara. Como não conheço ninguém com este nome, resolvi deixar para lá e voltar a escrever aqui.
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Dentro do projeto Fim do Abandono, também está meu Multiply (http://gustones.multiply.com) e o blog Nove Meses (http://novemeses.blogspot.com), este sobre o campeonato brasileiro - no qual Marcele vai dar uma ajeitada. Para quem não sabe, o Nove Meses virou uma coluna no site http://www.toquedecraque.com.br , embora meu amigo Alex do Triplex esteja mofando injustamente que eu a atualize há quatro rodadas. Prometo que esta semana vou cair dentro.
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Nada como a insônia para fazer alguém escrever inutilidades na internet.

1 Comments:

At junho 02, 2005 2:35 AM, Blogger Marcele Fernandes said...

Que bom que você voltou. :)

Beijos,

 

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